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Da série: Pix para ONGs: como melhorar seu QR Code para receber mais doações

Parte 3: Como identificar de onde vêm as doações feitas por Pix

Aprenda a usar uma única conta e chave Pix, mas QR Codes diferentes, para saber se as doações vieram do site, Instagram, WhatsApp, evento, campanha ou parceiro.
Capa da parte 3: Como identificar de onde vêm as doações feitas por Pix

Conteúdo da parte 3: Como identificar de onde vêm as doações feitas por Pix

Aprenda a usar uma única conta e chave Pix, mas QR Codes diferentes, para saber se as doações vieram do site, Instagram, WhatsApp, evento, campanha ou parceiro.

O que é o TxID?

Sua ONG divulga o mesmo QR Code Pix no site, Instagram, WhatsApp, eventos e materiais impressos?

Essa estratégia facilita a divulgação, mas cria uma dificuldade: depois que as doações entram, a organização não consegue responder com segurança:

“De onde vieram essas doações?”

Sem essa informação, fica difícil saber qual campanha funcionou melhor, qual parceiro mobilizou mais pessoas ou qual canal merece receber mais atenção.

A solução não precisa ser criar várias contas bancárias ou uma chave Pix para cada canal. A ONG pode manter uma única conta e uma única chave Pix, mas gerar um QR Code diferente para cada origem.

O que diferencia esses códigos é um campo chamado TxID, também apresentado por algumas instituições como identificador, referência ou código da transação. O TxID funciona como uma etiqueta dentro do pagamento.

Um QR Code divulgado no Instagram pode usar o identificador:

INSTAGRAM

O QR Code usado no site pode carregar:

SITEGERAL

Já uma campanha específica pode usar:

NATAL2026

Quando o pagamento é iniciado por aquele QR Code, o identificador acompanha a transação e pode ser usado pelo recebedor para conciliação. No QR Code estático, o TxID aceita até 25 caracteres, usando letras e números, sem espaços ou acentos.

O próprio manual do Banco Central apresenta o uso de vários QR Codes com a mesma chave, mas com TxIDs diferentes, como forma de distinguir produtos ou origens e permitir algum controle posterior pelo extrato ou pela API Pix.

Exemplos para uma ONG

Alguns exemplos de origem e TxID sugerido:

  • Página principal do site: SITEGERAL
  • Instagram: INSTAGRAM
  • WhatsApp: WHATSAPP
  • Campanha de Natal: NATAL2026
  • Evento presencial: EVENTOJULHO
  • Influenciadora Ana: PARCEIROANA
  • Empresa parceira ABC: EMPRESAABC
  • Projeto de alimentação: PROJALIMENTO

Não é necessário criar dezenas de códigos de uma vez. Comece pelos canais mais importantes para a ONG.

Uma estrutura inicial pode ter apenas:

  • site;
  • redes sociais;
  • WhatsApp;
  • eventos;
  • campanhas especiais;
  • parceiros ou influenciadores.

Como criar um QR Code diferente para cada canal

No aplicativo ou internet banking da conta da ONG:

  1. Entre na área Pix.
  2. Procure opções como Receber, Cobrar, Criar cobrança ou Gerar QR Code.
  3. Use a mesma chave Pix da ONG.
  4. Deixe o valor em aberto, caso cada pessoa possa escolher quanto doar.
  5. Procure um campo chamado Identificador, Referência, TxID ou Código da cobrança.
  6. Preencha o identificador correspondente ao canal.
  7. Salve o QR Code e o código Pix Copia e Cola.
  8. Nomeie os arquivos de forma clara.

Exemplo:

  • pix-site.png
  • pix-instagram.png
  • pix-evento-julho.png
  • pix-parceiro-ana.png

Depois, publique cada versão somente no local correspondente.

O botão de copiar também precisa mudar

Existe um cuidado importante no celular.

Não adianta mostrar um QR Code específico para o Instagram e deixar o botão “Copiar Pix” copiando apenas uma chave genérica. Nesse caso, quem usar o botão poderá fazer a doação sem o identificador do canal.

O Pix Copia e Cola deve copiar o código completo correspondente àquele QR Code. Pelas regras do Pix, o Copia e Cola representa exatamente a mesma sequência de dados contida no QR Code.

Portanto, cada origem deve ter o seu conjunto:

  • QR Code do Instagram + Pix Copia e Cola do Instagram
  • QR Code do site + Pix Copia e Cola do site

A chave Pix visível pode continuar aparecendo como alternativa, mas pagamentos feitos diretamente pela chave não necessariamente preservarão a identificação do canal.

Faça um teste antes de divulgar

Antes de substituir todos os materiais da ONG:

  1. Crie dois QR Codes de teste.
  2. Use os identificadores TESTESITE e TESTEINSTAGRAM.
  3. Faça um Pix de pequeno valor por cada código.
  4. Abra os detalhes dos recebimentos.
  5. Procure o identificador ou a referência.
  6. Baixe o relatório ou extrato do banco.
  7. Confirme se o TxID também aparece no arquivo.

Esse teste é importante porque a forma de visualizar e exportar o identificador depende dos recursos oferecidos pela instituição financeira.

Caso a informação não apareça, pergunte ao banco se a conta PJ oferece:

  • QR Code estático com TxID personalizado;
  • Pix Cobrança;
  • relatório de conciliação Pix;
  • exportação dos recebimentos com TxID;
  • acesso à API Pix.

Como usar os dados

Depois de confirmar que o banco apresenta o identificador, a ONG pode criar um relatório mensal simples:

  • Site: 32 doações, R$2.180 recebidos
  • Instagram: 41 doações, R$1.720 recebidos
  • WhatsApp: 18 doações, R$980 recebidos
  • Evento: 27 doações, R$1.430 recebidos
  • Parceira Ana: 14 doações, R$760 recebidos

Com isso, a equipe consegue avaliar:

  • quais canais geram mais doações;
  • quais campanhas mobilizam mais pessoas;
  • quais parceiros entregam melhores resultados;
  • onde vale repetir uma ação;
  • quais materiais precisam ser melhorados.

O objetivo não é apenas produzir um relatório. É usar a informação para tomar decisões melhores.

Para conectar essa prática a indicadores, leia Números de impacto para ONGs.

Essa identificação mostra quem fez a doação?

Não necessariamente.

Um QR Code estático com o TxID INSTAGRAM ajuda a identificar a provável origem da doação, mas não cria um código exclusivo para cada doador. Várias pessoas usarão o mesmo identificador.

Alguém também pode receber o QR Code pelo Instagram e encaminhá-lo pelo WhatsApp. Por isso, a atribuição por canal deve ser tratada como uma indicação útil, não como uma medição perfeita.

O Banco Central também destaca que, quando várias transações reutilizam o mesmo TxID, a capacidade de conciliação individual fica limitada. Para saber quem doou, a ONG ainda pode oferecer a opção de doação identificada, como explicado em outra parte desta série.

Quando usar QR Code dinâmico

Para uma ONG com maior volume de doações, a evolução natural é gerar um QR Code dinâmico para cada tentativa de doação.

Nesse modelo:

  • cada doação recebe um TxID único;
  • a plataforma sabe qual cobrança foi paga;
  • o valor pode ser confirmado automaticamente;
  • campanha, canal e parceiro ficam registrados no sistema;
  • o pagamento pode ser conciliado por consulta ou webhook.

O Banco Central descreve esse fluxo para cobranças dinâmicas: o sistema cria uma cobrança com TxID, apresenta o QR Code e consulta ou recebe a confirmação automática do pagamento.

O QR Code estático por canal é uma boa solução inicial. O QR Code dinâmico por doação é mais indicado quando a ONG precisa de automação e relatórios detalhados.

Mensagem pronta para enviar ao banco

Olá! Nossa organização precisa criar vários QR Codes Pix usando a mesma conta e chave, mas com um TxID diferente para cada campanha ou canal. O banco permite criar QR Code estático com identificador personalizado? Esse identificador aparece nos detalhes da transação e nos relatórios de recebimentos em CSV ou Excel?

Erro comum

Criar arquivos com nomes diferentes, mas usar exatamente o mesmo QR Code e o mesmo Pix Copia e Cola em todos os canais.

Mudar apenas o nome do arquivo ou a arte ao redor do QR Code não cria identificação. O conteúdo Pix precisa ter um TxID diferente para cada origem.

Conclusão

A ONG não precisa complicar sua operação para começar a entender de onde vêm as doações.

Uma única conta, uma única chave Pix e alguns QR Codes bem organizados já podem ajudar a comparar site, redes sociais, eventos, campanhas e parceiros.

Comece com três ou quatro origens, faça pagamentos de teste e confirme se o banco apresenta o identificador. Depois de algumas semanas, use os resultados para descobrir quais canais realmente estão ajudando a causa.

Para seguir na série, leia: Como explicar o impacto da doação antes do QR Code Pix.

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